Manifesto em favor do turismo brasileiro
O turismo
brasileiro tem sido responsável por uma contribuição significativa na
recuperação da economia do País. A cadeia do turismo consome produtos de pelo
menos 68 tipos de indústrias diferentes. Apenas o setor gastronômico emprega
cerca de 1,5 milhão de pessoas e o artesanato movimenta mais de R$ 40 bilhões
por ano. A atividade turística sustenta milhões de micro e pequenas empresas de
52 setores da economia, gerando mais de 8 milhões de empregos no país. Isso
sem contar com os bilhões de reais injetados na economia de janeiro a dezembro.
Tanto que o turismo é responsável por mais do que 3,5% do PIB nacional.
Esses são apenas
alguns dos vários números positivos que o setor apresenta ao Governo Federal
todos os anos. Mesmo diante desta realidade, o turismo brasileiro foi
surpreendido com a notícia de que o orçamento para o ano de 2017 seria
diminuído em aproximadamente 68%, caindo de R$ 473,2 milhões para R$ 151,5
milhões. Um valor inexpressivo diante do trabalho que podemos e precisamos
fazer para apresentar o nosso país ao mundo. Nos últimos anos, recebemos
eventos grandiosos, como a Jornada Mundial da Juventude, a Copa das
Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Perdemos todas essas
oportunidades porque o Governo Federal teve uma visão equivocada deste mercado.
Visão esta que parece estar cada vez mais complicada com o orçamento deste ano.
Um corte desta
magnitude demonstra que o Governo não está preocupado com o desenvolvimento do
turismo e com todos os benefícios proporcionados por ele. Segundo a World
Travel & Tourism Council, o setor deverá crescer 3,8% em 2017, gerando US$
7,9 trilhões em movimentação financeira em todo o mundo. Este é mais um
momento em que o País poderia decolar na captação de visitantes. E exemplos
para se ter a certeza de que o investimento em promoção é o principal caminho
para este crescimento não faltam. O México investiu US$ 477 milhões na promoção
do destino em 2015. O resultado foi cerca de 3 milhões de turistas
internacionais apenas na cidade do México, no mesmo ano. Um aumento de 9,1%.
Lima, capital do Peru, conquistou 4,2 milhões de visitantes estrangeiros no
mesmo período. O Brasil inteiro, com um investimento irrisório em promoção, chegou
a 6,6 milhões de turistas. Com tantos atrativos naturais, culturais, gastronômicos,
históricos e econômicos, este ainda não é um número para se comemorar.
Caso trabalhado
da forma correta e com um orçamento significativo, temos tudo para transformar
o Brasil em um destino desejado por visitantes de todo o mundo, promovendo
assim uma recuperação mais célere da economia em todas as regiões de forma mais
igualitária e democrática. Vamos nos unir para revermos este valor. Nós,
secretários estaduais, não vamos nos calar, ficar parados e permitir que o
turismo continue sendo encarado como algo sem importância.
O Brasil está
perdendo uma grande oportunidade de sair desta sensível situação econômica por
meio do turismo, o único mercado que não fechou postos de trabalho nos últimos
anos. O Brasil pode gerar mais empregos, mais renda, mais movimentação
econômica e mais desenvolvimento investindo da forma correta, onde o resultado
é mais rápido e eficiente. A Espanha, por exemplo, identificou no turismo a
solução para a crise econômica e anunciou um número recorde de visitantes em
2016. Os mais de 75 milhões de turistas estrangeiros deixaram mais de 77
bilhões de euros nos cofres espanhóis, espantando qualquer possibilidade de
agravamento de dificuldade econômica.
O Fornatur não
pode se aquietar e aceitar de forma pacífica toda esta movimentação que tem
como finalidade a diminuição das atividades turísticas no Brasil. Queremos ver
os estados pujantes, atraindo cada vez mais turistas, investidores, aumentando
a rede hoteleira com a liberação do visto para os principais países emissores e
liberação de cassinos, conquistando novos voos nacionais e internacionais,
gerando empregos, se fortalecendo e transformando o Brasil no maior e melhor
destino turístico do mundo. Apoiamos ainda, de forma veemente, a transformação
da Embratur num serviço social autônomo. Uma agencia nos moldes da Apex, com
maior autonomia orçamentaria para empreender um programa de promoção
internacional capaz de elevar os níveis do fluxo turístico em direção ao
Brasil. Vamos trabalhar para isso, juntos e de forma organizada para elevarmos
este orçamento e assim transformamos esta realidade.
HESÍODO GÓES -Fotógrafo


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